Extrato de leguminosa pode ajudar a reduzir a inflamação na articulação temporomandibular

Extrato de leguminosa pode ajudar a reduzir a inflamação na articulação temporomandibular

Pesquisa desenvolvida na Faculdade São Leopoldo Mandic conclui que a lectina extraída da leguminosa Dioclea violacea pode atuar como agente anti-inflamatório em distúrbios da ATM

 A inflamação dos tecidos da Articulação Temporomandibular (ATM) causa condições dolorosas na região orofacial e pode evoluir para um quadro de dor crônica. Um estudo desenvolvido na Faculdade São Leopoldo Mandic, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, investigou a ação anti-inflamatória da lectina extraída da Dioclea violacea – leguminosa popularmente conhecida como olho-de-boi e encontrada em todo o litoral brasileiro – e constatou que ela pode ser eficaz para tratar inflamações na ATM.

A pesquisadora e coordenadora do Programa de Pós-graduação em Clínicas Odontológicas da SLMANDIC, Prof.a Dr.a Juliana Trindade Clemente Napimoga, explica que “as lectinas diminuem a quimiotaxia inflamatória por meio da redução da migração de células inflamatórias para o local da lesão, e por isto apresentam um potencial efeito anti-inflamatório”.

A pesquisa contou com o apoio da CAPES/CNPq e a participação de pesquisadores da Unicamp, Universidade de Uberaba, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e da Universidade Federal do Ceará, e foi publicada em março deste ano na revista Biochimie. O artigo é resultado da dissertação de mestrado da aluna Maria Amelia Silva, da São Leopoldo Mandic.

Fitoterápicos e medicamentos mais eficazes

A pesquisa pode colaborar para a descoberta de medicamentos mais eficazes, utilizando a biodiversidade encontrada no Brasil, e reforça que os fitoterápicos são medicamentos com efeitos terapêuticos e também colaterais e não devem ser prescritos de maneira irresponsável.

As lectinas podem ser extraídas tanto de leguminosas como de algas e usadas para a fabricação de fitoterápicos. “Ao invés de trabalhar com produtos sintéticos, muitas vezes conseguimos, a partir de plantas específicas, extratos químicos com potencial efeito terapêutico”, afirma a pesquisadora.

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são os medicamentos mais prescritos para tratamento de Disfunção Temporomandibular (DTM). No entanto, o tratamento pode levar várias semanas e causar inúmeros efeitos colaterais.

Além disso, apenas 30% dos pacientes com condições de dor inflamatória respondem aos seus efeitos. Por isso, o desenvolvimento de novos fármacos para tratar doenças inflamatórias dos tecidos orofaciais continua sendo importante para os cientistas.

Software

Os dados laboratoriais da pesquisa foram associados a alguns ensaios feitos em um software que simula com quais estruturas a lectina pode ter afinidade de ligação.

A pesquisadora ressalta que o uso do software dá mais robustez ao trabalho, já que por meio dele é possível fazer uma predição do que se pode esperar de mecanismo de ação da lectina, o que norteia o desenho experimental do modelo in vivo.

“Essa é uma ferramenta importante, porque otimiza a pesquisa e conseguimos focar nos procedimentos que são mais efetivos, o que acaba reduzindo a quantidade de animais experimentais utilizados e também a quantidade de experimentos”, explica Dr.a Juliana.

O artigo Dioclea violacea lectin ameliorates inflammation in the temporomandibular joint of rats by suppressing intercellular adhesion molecule-1 expression (doi: 10.1016 / j.biochi.2018.12.007), de Juliana T. Clemente Napimoga, Maria A. S. M. Silva, Sylvia N. C. Peres, Alexandre H. P. Lopes, Claudia F. Lossio, Messias V. Oliveira, Vinicius J. S. Osterne, Kyria S. Nascimento, Henrique B. Abdalla, Juliana M. Teixeira, Benildo S. Cavada e Marcelo H. Napimoga, está publicado em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0300908418303523?via%3Dihub.

2 Comentários
  • Maria de Lourdes Abrantes Salgado
    Publicado às 19:36h, 13 maio Responder

    Achei muito importante essa pesquisa. Tenho ATM e a dor é muito incômoda. Gostaria de saber se vocês atendem a comunidade. Moro próximo da rua Caiubi em Perdizes.

    Grata

    Maria de Lourdes

    • Silvia Balbo
      Publicado às 16:54h, 15 maio Responder

      Prezada Maria de Lourdes,

      A Unidade São Paulo atende pacientes, sim. Por gentileza, entre em contato a Instituição. O telefone é (11) 3192-4605.

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