Estudo propõe reduzir pela metade a dose de radiação de exames de tomografia computadorizada de feixe cônico

Estudo propõe reduzir pela metade a dose de radiação de exames de tomografia computadorizada de feixe cônico

Professora e pesquisadora da Faculdade São Leopoldo Mandic publica artigo na revista Scientific Reports, do grupo Nature, sobre um estudo que comprova que crianças e adolescentes podem ser expostos a menores doses de radiação em exames odontológicos

Um estudo identificou que é possível reduzir pela metade a dose de radiação em exames de tomografia computadorizada de feixe cônico, indicados para crianças e adolescentes, sem afetar a qualidade das imagens.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Scientific Reports, do grupo Nature. O artigo científico foi escrito pela pesquisadora e professora da Faculdade São Leopoldo Mandic, Anne Caroline Oenning, em parceria com pesquisadores de universidades da França, Bélgica e Romênia que integram o DIMITRA, um projeto que investiga o risco de radiação associado aos exames de tomografia computadorizada odontológica em crianças e adolescentes, e propõe estratégias para a redução da dose nessa população.

Desde o final da década de 1990, os exames de tomografia computadorizada de feixe cônico, que são exames tridimensionais, passaram a ser muito usados na Odontologia.

Esses exames estão associados a doses maiores de radiação, quando comparados aos bidimensionais – como a radiografia panorâmica -, e sua utilização é justificada pela possibilidade de realização de diagnósticos mais precisos sem distorções ou ampliações.

Radiossensibilidade

Prof.a Anne explica que crianças e adolescentes são mais sensíveis à radiação do que os adultos, por causa da imaturidade dos órgãos e tecidos que estão em pleno desenvolvimento.

“Eles estão no início da vida e ainda podem ser expostos à radiação de muitos exames, o que tem efeito cumulativo no organismo e pode dar origem ao câncer”, complementa a pesquisadora.

Ela afirma que, em muitas situações, esse exame tridimensional não é necessário, pois é possível fazer o diagnóstico, perfeitamente, com o bidimensional, que tem uma dose de radiação inferior.

“O cirurgião-dentista precisa ter critério para solicitar esses exames de tomografia que, muitas vezes, expõem sem necessidade a criança à radiação”, pondera Prof.a Anne.

Parâmetros de exposição

Um dos pontos mais importantes que o artigo sinaliza é a possibilidade de obtenção de imagens com qualidade suficiente para o diagnóstico, reduzindo-se os parâmetros de exposição (voltagem, corrente e tempo de exposição) estabelecidos pelos fabricantes de tomógrafos.

“Normalmente, os fabricantes desses equipamentos sugerem protocolos padrão, com fatores ajustados em níveis relativamente mais elevados com o objetivo de produzir imagens de maior qualidade, mais bonitas”, afirma Prof.a Anne.

No entanto, o estudo mostra que a redução da dose de radiação não interfere na obtenção de imagens com qualidade e aceitáveis para o diagnóstico. “Nem sempre as imagens mais bonitas são as imagens associadas a um melhor desempenho no diagnóstico”, enfatiza a pesquisadora.

Artigo na Scientific Reports – Nature

“Ficamos muito satisfeitos com a publicação do estudo na revista Scientific Reports, do grupo Nature, um periódico com alto fator de impacto, bastante citado, e, além disso, lido e acessado por cientistas de diversas áreas, e não somente da Odontologia, o que contribui positivamente para disseminação do conhecimento”, opina Prof.a Anne, que ressalta que está em análise a possibilidade de novas pesquisas sobre o tema, em parceria com alunos e pesquisadores da SLMANDIC.

O artigo Halve the dose while maintaining image quality in paediatric Cone Beam CT (doi: 10.1038/s41598-019-41949-w), de Anne Caroline Oenning, Ruben Pauwels, Andreas Stratis, Karla De Faria Vasconcelos, Elisabeth Tijskens, Annelore De Grauwe, Reinhilde Jacobs, Benjamin Salmon e Dimitra research group, está publicado em: https://www.nature.com/articles/s41598-019-41949-w.

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