Estudo aponta aumento na mortalidade geral associada ao chikungunya

Estudo aponta aumento na mortalidade geral associada ao chikungunya

Pesquisa de Prof. Dr. da Faculdade São Leopoldo Mandic avaliou dados de PE, RN e BA, estados brasileiros com maiores taxas de incidência do vírus

Um estudo feito pelo professor Dr. André Ricardo Ribas Freitas, médico epidemiologista da Faculdade São Leopoldo Mandic, recém divulgado na PLOS Currents, publicação focada em analises científicas, aponta um aumento significativo na mortalidade geral associada ao chikungunya (CHIKV), durante a epidemia do vírus, entre os anos 2015 e 2016, nos estados brasileiros do Nordeste.  Considerando apenas Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte, foram 7501 óbitos. A pesquisa mostra que não houve um número de mortes semelhante nos anos anteriores, mesmo no período do surto da dengue. As faixas etárias mais afetadas foram de bebês e idosos.

O estudo foi baseado em dados disponíveis no Ministério da Saúde e avaliou as mortes associada ao vírus nos três estados brasileiros, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia, com maiores taxas de incidência da enfermidade.

Para avaliar o possível efeito do vírus sobre a mortalidade das causas, foram comparados os números de mortes estimadas para a população atual com a observada durante o grande aumento de chikungunya de 2015 e 2016. Dada a falta de dados prévios da circulação sobre o tema nas regiões estudadas, é arbitrariamente considerado como início da epidemia no primeiro de pelo menos dois meses consecutivos com taxas de incidência superiores a 50 casos por 100 mil habitantes; e para o fim do tempo epidêmico é definido como taxa de incidência inferior a 50 por 100 mil por dois meses consecutivos para todas as regiões estudadas. Foi traçado a taxa de incidência de dengue no mesmo período em todas as regiões estudadas para comparação.

Resultados

“Um fato que deve ser destacado é que a letalidade causada pelo chikungunya é muito maior do que a causada pela dengue. Identificamos um aumento significativo na taxa de mortalidade de todas as causas durante o surto do vírus, enquanto não houve um número semelhante nos anos anteriores, mesmo na época da epidemia de dengue. Estimamos um excesso de 4.505 mortes em Pernambuco nos surtos da doença (47,9 por 100.000 pessoas)”, afirma o Prof. Dr. André Ricardo Ribas Freitas, da Faculdade São Leopoldo Mandic.

Usando os critérios de epidemias, foi possível identificar aumento em casos de chikungunya de em: Pernambuco (janeiro a abril de 2016), Rio Grande do Norte (fevereiro a junho de 2016), Centro-Norte da Bahia (fevereiro a março de 2016), nordeste da Bahia (Janeiro-março de 2016), Norte da Bahia (setembro de 2015 – abril de 2016), sul da Bahia (janeiro a abril de 2016); e duas ondas surgem em: Centro-leste da Bahia (primeiro março a julho de 2015 e segunda fevereiro a março de 2016). Utilizando os mesmos critérios, nenhuma epidemia foi confirmada em outras regiões da Bahia.

As descobertas informam que durante os surtos de CHIKV houve um aumento da mortalidade de todas as causas em todas as regiões analisadas, quase simultaneamente com o pico de epidemias. As taxas de letalidade excessiva foram maiores nas quatro regiões com a maior taxa de incidência dos casos da doença. Nos estados de Pernambuco, Sul-Bahia e Rio Grande do Norte, a incidência de dengue foi alta em 2015 e 2016. Em Pernambuco, a maior incidência de dengue ocorreu em 2015, ano em que não houve excesso de mortes.

Sobre a doença

O Chikungunya (CHIKV) é um RNA vírus da família Togaviridae do gênero Alphavirus, descrito pela primeira vez em 1950 na região que hoje corresponde à Tanzânia durante um surto atribuído inicialmente ao vírus Dengue.

A Chikungunya se caracteriza por quadros de febre associados à dor articular intensa e debilitante, cefaleia e mialgia. Embora possua sintomas semelhantes ao da dengue, chama a atenção a poliartrite/artralgia simétrica (principalmente punhos, tornozelos e cotovelos), que, em geral, melhora após 10 dias, mas que pode durar meses após o quadro febril.

O nome Chikungunya significa “aquele que se curva” na língua Makonde, falada em várias regiões da África Oriental, razão da posição antálgica que os pacientes adquiriam durante o período de doença. Embora quadros severos não sejam comuns e não ocorram choque ou hemorragias importantes como na dengue, manifestações neurológicas (encefalite, meningoencefalite, mielite, síndrome Guillain Barré), cutâneas bolhosas e miocardite podem trazer gravidade aos casos; principalmente, em bebês e idosos.

André Ribas Freitas é mestre em clínica médica e professor de Epidemiologia no curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic. É também médico do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas, sendo coordenador do Programa Municipal de Controle de Arboviroses.

 

 

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